Palavras que passaram

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A saga do esquecido (pt. 3)

"Em que o posso ajudar?"

Perguntou-lhe com uma breve incerteza, perpetuada por um profundo receio. Receio desconhecido, infundado, certamente imaginado...Até se materializar no som da resposta do seu interlocutor...

"Pode sim, meu jovem amo."

Perplexo, ainda que não tanto quanto desconfiado, olhou o possível chanfrado de alto a baixo e arriscou:

"Amo? Hum...ainda não tenho um império, mas...tudo bem. Desde que não tenha que pagar..."

O estranho soltou uma gargalhada.

"Vejo que o sentido de humor é de família..."

"Não me parece...É que os meus pais não reconhecem uma boa piada. São cristãos, sabe..."

"O meu amo não acredita em Deus?"

"Digamos que...não."

"Estranho...Era suposto a sua família guardiã incutir-lhe os valores do nosso egrégio Senhor..."

"Bem, não sei o que acabou de dizer, caro senhor, mas é certo que em minha casa nunca faltou Júlio Iglesias...E que estória é essa de família guardiã?"


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