Neste momento, em que a da foice sua mão me estende,
memórias de quem fui, de quem ainda sou,
do caixão do esquecimento violentamente se libertam.
Memórias que outro não compreende,
de tão simbólico, tão pessoal...
Memórias tão novas quanto eu,
memórias da meninica, do berço...
Memórias de como esta coisa começou...
Enquanto aos poucos do passado se despede,
Minh'alma, o frio abraço do desespero, acolhe.
Em vida, fiel companheiro,
Nesta hora, moeda para o barqueiro.
Enquanto mais forte me agarra,
mais forte, o presente se me apresenta.
Enquanto o que já foi desfila,
mais e mais, a meu ser, a calma inspira...
No fim da passagem da infindável fila
de pensamentos, fisiologias e sentimentos agora terminados,
finalmente a compreensão, a este que já não é, se apresenta.
O sentido da existência, o porque duramos, o que depois vem...
Tudo o que a humana mente saber cobiça...
Tudo o que fora do alcance lhe está, escondido, vedado...
Até ao final do ser,
até esta bela hora do morrer...
Sem comentários:
Enviar um comentário